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Metodologias Ativas, Mídias, Projetos e eduScrum – Introdução

Uma frase ecoa entre os entusiastas de uma escola moderna, inovadora, e que buscam [re]formar o sistema de ensino presente na maioria das instituições educacionais de hoje: “Temos uma Escola do Século XIX, com Professores do Século XX e Alunos do Século XXI”. Não sabemos ao certo de quem é a autoria de tal frase, mas o que concluímos é que precisamos nos mover em direção a adaptar o sistema de ensino, abraçar novas metodologias e tecnologias, e fazer com que os alunos, principalmente, sintam-se representados, respeitados, ouvidos, etc.. Isso não é o que irá acontecer em um sistema educacional como o atual, esgotado pelo tempo com profissionais exaustos, desmotivados, altamente estressados e com alunos que não veem propósito nas atividades que lhes são oferecidas.

A educação formal está num impasse diante de tantas mudanças na sociedade: como evoluir para tornar-se relevante e conseguir que todos aprendam de forma competente a conhecer, a construir seus projetos de vida e a conviver com os demais. Os processos de organizar o currículo, as metodologias, os tempos e os espaços precisam ser revistos. (MORÁN)

É fato que a escola como ela foi concebida e como se mantém até hoje precisa evoluir, tornar-se moderna, atraente, inovadora e um ambiente onde TODOS os alunos QUEIRAM estar. Porém, sabemos que ainda estamos longe de fazer isso acontecer na maioria das escolas. Temos, é claro, algumas escolas que favorecem a inovação, usando de recursos tecnológicos, abordagens por projetos, gamificação e outras atividades que fazem o aluno assumir a responsabilidade central pelo seu próprio aprendizado. Infelizmente, ainda são poucas. Podemos listar diversos motivos para observarmos essa resistência em seguir pelo caminho de modernizar o sistema de ensino: falta de investimento em estrutura, formação continuada da equipe insuficiente, desmotivação ou falta de vontade dessa mesma equipe. Aquela já famosa “zona de conforto”, “sempre foi feito assim, por que mudar?”, “tenho domínio dessa metodologia, por que me aventurar em uma área desconhecida?” são muitas das justificativas que podemos observar hoje no ambiente escolar.

Da parte dos alunos, que seriam os principais impactados por um sistema mais moderno e inovador, também temos vários deles que são esforçados, compreensivos com a situação do sistema educacional atual e que gostam/querem estar dentro da escola como ela é (mesmo com seus problemas e não tendo experimentado nada diferente). São engajados e interessados! Talvez com mudanças positivas no ambiente e no sistema escolar como um todo, estes alunos, tomariam ainda mais a posição de liderança entre os colegas e, quem sabe, teríamos um círculo virtuoso de mudanças dentro da escola.

Muito tem se discutido sobre educação no Brasil e no mundo. São questionadas as aulas expositivas com Professor, quadro-negro e giz. São questionadas as metodologias usadas por décadas ou séculos em sala de aula. Em todo o canto o consenso é de que a escola deve ser a instituição que promove a inovação por excelência, mas diversos motivos tem a levado para o caminho inverso.

Grandes pesquisadores de teorias de aprendizagem como Jean Piaget, David Ausubel, Howard Gardner, Paulo Freire e tantos outros apontam caminhos para tornar a aprendizagem do aluno realmente significativa. São diversos caminhos a seguir. Ou, melhor ainda, são diversos caminhos que se entrelaçam rumo ao mesmo destino. Cabe a nós, educadores, encontrar as interseções entre as mais diversas abordagens. Interseções estas que levem em consideração os seguintes fatores: o aluno como elemento central, as habilidades essenciais que este aluno precisa desenvolver no século XXI, o uso de recursos tecnológicos e mídias de forma assertiva e o papel do professor como mediador em todo esse processo.

Mais uma barreira que esperamos encontrar ao propor a implantação de mudanças como esta é a declaração de que alguns resultados obtidos na aplicação das Teorias de Aprendizagem propostas aqui dependem de ambiente, cultura e características específicas de cada comunidade escolar onde elas foram “testadas” e, bons resultados registrados em outros países não seriam repetidos em nossa cultura. O que não deixa de ser verdade, mas está longe do que pretendo aqui, com esse artigo. Aqui, tenho como objetivo, adaptar e encontrar maneiras de utilizar o que há de melhor em cada uma das abordagens, extraindo o melhor de cada profissional envolvido, principalmente os educadores, cada um dentro de suas características e qualidades e o mesmo será feito com os alunos, além de usar os recursos disponíveis e não depender de novas aquisições, modificações drásticas no ambiente e nas salas de aula.

Diante desse cenário, nossa ambição é verificar a aplicação de algumas abordagens de Teorias de Aprendizagem usando algumas das melhores alternativas em metodologias ativas como Educação Baseada em Projetos (PBL-Project Based Learning) com o uso do framework de educação ágil EduScrum, Ensino Híbrido, Educação Baseada em Times (TBL-Team Based Learning) e Educação por Pares, sempre usando o máximo de recursos tecnológicos possíveis e disponíveis como, smartphones, tablets, notebooks, computadores, e mídias, como áudios, vídeos, e-books, sites, plataformas web para salas de aula virtuais e gamificação.

Em relação aos alunos, essa proposta pretende fazê-los mais engajados, autônomos, interessados e disciplinados. Com a apropriação dos processos que conduzirão ao seu aprendizado, espero observar também melhores resultados em desempenho e menor evasão.

Ao final, uma análise minuciosa dos resultados trará conclusões de quais melhores abordagens entre as testadas, qual o caminho a ser traçado para a tomada de decisão em experimentar outras metodologias, tecnologias, mídias, etc.. Também dará dados para avaliar o desempenho, o interesse, o engajamento, e outras informações relevantes sobre o desenvolvimento dos alunos. E, por fim, mostrará o “o quê”, “como” e “quanto” os professores usaram e se apropriaram das metodologias usadas durante todo esse processo. Essas informações não só nos revelará o resultado dessa iniciativa, como também apontará as possibilidades e desafios que encontraremos à frente.

 

Esse artigo introdutório é parte de um pré-projeto desenvolvido por mim durante a disciplina de Metodologia de Pesquisa Científica da pós-graduação em Mídias na Educação

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